Beagá tem algo de especial (English version below)

Ela conseguiu o que queria. A mulher venceu. Eu fui enfeitiçado. Derrotado pela magia de uma mineira.

Fraquejado pelo seu charme, pela sua risada graciosa, seus olhos marrons e puxadinhos, e seu sorriso de pérolas. A promessa de uma vida melhor, a atração de uma cidade sem turistas, e nenhum pub irlandês, nem uma alma irlandesa à vista. Um dos poucos estrangeiros morando numa cidade de quase cinco milhões de habitantes, portanto uma garantia de ser tratado como um rei! Eu olhava esperançoso para as nuvens sobre Dublin, “um rei, heim? ótimo!”. Talvez, apenas talvez, as coisas voltariam a ser como eram, eu seria visto como meus ancestrais um dia foram, os O’Neils, os reis da Irlanda. Eu teria um lugar junto à minha família.

“Você será tratado como um rei”, ela disse mais uma vez.

“Belo Horizonte”, ela sussurrou no meu ouvido.

“Mais bares do que pessoas”, ela disse.

Sua doçe voz me enfeitiçando, entrando nas minhas veias, se misturando ao meu sangue, enroscando seus tentáculos caprichosos na minha alma. “Rei e cerveja, rei e cerveja.” Eu pensei, “Jesus, como pode um homem resistir?”. Promessas de riqueza, amor, realeza e mais cerveja do que Homer Simpson pudesse desejar. Como um dublinense poderia recusar tais tentações de grandeza? A brasileira era ardilosa. Ela preparou a armadilha muito bem.

“Isso é Minas Gerais, meu amor.”

“Uau, é lindo.”

Mares de morros, pastagens verdes, montanhas que arranham o céu, cachoeiras, árvores e florestas, e céu azul. Era gorgeous’, como nós irlandeses costumamos dizer, e certamente me lembrava um pouco a minha ilha esmeralda. Mas isso é Minas Gerais. Eu sabia que estava com um sorriso no rosto, um sorriso que vem de algum lugar de dentro, e se espalha pela face, abrindo-a completamente. Então veio aquela sensação. Uma sensação que vem do estômago, uma gut feeling. Eu sentia que seria feliz aqui em Belo Horizonte. “Rei e cerveja”, eu pensei, “rei e cerveja”.

Quando chegamos à Savassi, imediatamente eu me lembrei de Sidney, na Austrália. Eu morei num bairro chamado Darlinghurst, cheio de bares chiques e cafés. Mas era a flora que dava o charme. As ruas eram ladeadas com árvores viçosas. E, com os anos, seus galhos folhosos tinham se alongado acima dos pavimentos de concreto, até se entrelaçarem uns aos outros, criando uma copa verde sobre as ruas de Sidney. E aqui estava eu, em Belo Horizonte, olhando para a mesma copa. Era primavera, e as árvores estavam apinhadas de flores rosas e vermelhas.

“Olhe as árvores, amor, olhe as árvores”, minha mulher gritava entusiasmada.

O que eu não sabia era que isso é um truque que minha esposa usa com os visitantes a BH, para evitar que eles olhem para os prédios não tão bonitos assim!

A viagem de táxi para a minha nova casa foi surreal e o taxista parecia ser a pessoa mais feliz do mundo, ou então ele estava sentado em cima de uma galinha e uma pena ou duas fazia cócegas na sua bunda. Ele fez comentários sobre isso e aquilo, riu de tudo e de nada. Eu era o primeiro irlandês a andar no seu táxi, ele disse. Provavelmente, não o último, “ho ho ho”.

Eu tinha chegado a Belo Horizonte, e três semanas depois achei um trabalho. Fiz um grande amigo, Adriano, também professor de inglês. Minha mulher trabalhava até tarde, então eu ficava por conta própria por um bom tempo. Durante a semana eu ia tomar umas cervejas com meu novo amigo, e, a seu modo, ele me contava sobre a vida em BH e os mineiros. Vanessa e eu tínhamos começado o processo de conseguir documentos e planejar o casamento. Eu andava pela cidade toda, tomando notas mentais sobre o que estava ao meu redor e as pessoas. Era completamente diferente da minha vida na Europa. Eu me sentia como se estivesse viajando de novo. E eu estava adorando a novidade.

E foi assim pelo próximo ano, andando pelas ruas da capital de Minas, conhecendo seus caminhos, suas pessoas e seus costumes. Meu coração e minha mente eram copos vazios sendo preenchidos pela cidade. Então, devagar e certo, como nas calçadas debaixo dos meus pés, rachaduras começaram a aparecer, cada vez maiores. A novidade de Belo Horizonte estava começando a desaparecer. Eu olhava para o meu reflexo nas vitrines das lojas. Dois sulcos familiares tinham reaparecido na minha testa, eu estava com a cara amarrada de novo. Meus ombros, que tinham estado relaxados e leves por tanto tempo, começavam a pesar e doer. Os contras de Belo Horizonte começavam a pesar. Nas minhas longas caminhadas pela cidade, várias reclamações do trânsito, dos motoristas egoístas e do ar poluído na hora do rush. Fiquei cansado de estar em uma cidade que ama os arranha-céus e destrói as casas. Os prédios grafitados, a falta de lei, a sociedade desajustada. Fiquei cansado da qualidade dos serviços, de esperar as coisas serem feitas, da falta de atitude em relação aos atrasos. Eu pedi conselhos à minha esposa, pedi que ela me lembrasse porque estávamos aqui, e não na Europa onde as coisas simplesmente funcionam. Vanessa tem um poder de fazer ficar tudo bem, mas nem a calma dela conseguia me serenar. Ela se tornou um saco de pancadas para as minhas reclamações. E ela dizendo “isso é o Brasil, querido” ficou chato para mim. As árvores, as copas e as flores começaram a morrer. Eu não as conseguia ver mais. E a morte delas começou a expor o que estava por baixo o tempo todo. Agora, estava tudo à vista.

Em português existe uma palavra: “maravilha”. Na Irlanda talvez traduziríamos essa palavra para gorgeous, e Deus sabe o tanto que os dublinenses usam essa palavra. Se você ouvisse alguns cantores brasileiros como Jorge Ben, Chico Buarque, Cartola, Tom Jobim, Marisa Monte e Vanessa da Mata, você saberia o tanto que a língua portuguesa é maravilhosa. Eu, no entanto, tenho um sotaque dublinense muito pouco musical. Então se você me ouvisse falando português… bem, sabe aquela cara que fazemos quando alguém arranha as unhas num quadro negro? Você sabe bem o que quero dizer, tenho certeza. Estou fazendo tudo o que posso, gente. Estou tendo aulas, lendo Rubem Fonseca, tentando conversar em português com minha esposa. Eu digo “nossa senhora” duzentas vezes por dia (às vezes apenas “nossa”), “fica com Deus” (às vezes só “com Deus”), e para conseguir fazer o som anasalado, antes de falar “tudo bem” ou “tudo bom”, eu tiro um prendedor de roupas do meu bolso e prendo meu nariz! Para praticar, meu bom amigo Adriano baixou o melhor do samba e da bossa nova para mim. E aí, quando estou triste, eu viajo para o mundo de Jorge Ben e sua voz carismática toma conta de mim e faz o meu dia. Então semana passada, enquanto fazia uma das minhas longas caminhadas pela cidade, a suave voz do Jorge me carregava. Essa caminhada em particular incluía uma passagem pela ‘Dumont’ na Avenida Afonso Pena para devolver alguns DVDs. Daí tive pela frente uma longa descida pela Avenida do Contorno, depois entrei no bairro de Lourdes, para ir a um café que frequento para um cafezinho e um pão de queijo, talvez o melhor lanche jamais criado por Deus. Daí eu dei aula para um dos meus alunos favoritos, por uma hora: tudo que eu tenho que fazer é dizer ‘oi’, e desse ‘oi’ ele emenda um assunto no outro, e fala até a hora passar. Ele fala sobre Belo Horizonte, coisas que eu não leria em nenhum lugar, é uma enciclopédia ambulante. Depois eu passei por outro café, para mais um cafezinho e pão de queijo. Depois, Tiago e Gabi, mais um grupo favorito, na empresa Anglo Ferrous. É um prazer imenso dar aulas para eles, são simpáticos, engraçados e de mente aberta. São ótimos.

Daí eu peguei o ônibus número 20, que sempre me espanta, mas essa é uma outra história, amigos, vocês vão ter que esperar por esse texto. E quando eu estou sentado ali, eu percebo que estou sorrindo, e que tinha passado todo o dia sorrindo. Penso então na minha caminhada e em todas as pessoas com quem eu encontrei e conversei, os porteiros no meu prédio, os funcionários da Dumont, os garçons dos cafés, meus alunos e muitos outros. E todos esses encontros tinham acontecido com a maior simpatia, e com um sorriso genuíno. Além disso, era um dia normal, não era o ‘dia de ser simpático com o Keith’ ou algo do tipo, isso acontece todos os dias aqui em BH.

“Chato” é outra palavra em português brasileiro que significa entediante, aborrecido, enfadonho, tedioso. A palavra apareceu, me deu um tapa na cara e invadiu minha mente, porque eu tinha me tornado chato. Eu me sentei e pensei longamente em como eu tinha sido nos últimos meses: chato. Eu tinha me tornado um produto dos meus próprios ódios. Meus olhos se encheram de lágrimas. Mandei um email para meu melhor amigo e para a minha esposa, e contei a eles que algo tinha acontecido, que no curso do dia, através desses pequenos encontros com diversas pessoas, um ‘despertar’ havia ocorrido. A partir daquele momento não haveria mais reclamações, nem negatividade, só positividade. E que ficar bravo era apenas um desperdício de energia. Eu disse que os amava e agradeci pela paciência dos dois. Eu sempre fui uma pessoa muito social, isso sempre foi uma das minhas principais características. Mas eu tinha deixado isso escapar, e deixei de dar o devido valor. Mas eu tinha conseguido voltar a ser eu mesmo, com a ajuda da minha esposa, do meu melhor amigo e do povo de Belo Horizonte. Sim, Belo Horizonte não é uma cidade bonita de se ver, você não a pode comparar com cidades européias como Barcelona, Paris ou Roma. Mas, para mim, BH tem algo que essas outras cidades não têm: as pessoas daqui, essas pessoas do dia-a-dia. A educação, a simpatia, o sorriso (com dentes brancos!) que você recebe desses estranhos é inestimável. São esses encontros por acaso que fazem a cidade ser o que é para mim. Isso é o algo de especial. Se você vier visitar, ou mesmo morar, você vai perceber isso, e gradual e inquestionavelmente, BH vai se tornar uma cidade melhor aos seus olhos. Você verá que a cidade tem mais do que bares e árvores a oferecer.

Eu estou morando aqui há pouco mais de um ano agora. Eu ainda tenho muito a aprender. Mas acho que já entendi como os mineiros são. Eles têm uma atitude viva e deixe viver aqui. Uma vida “não se preocupe, seja feliz”. Então, para todos vocês europeus que quiserem vir para Minas Gerais, eu compilei algumas regras para ajudá-los a se ajustar.

Os 10 mandamentos dos mineiros (ou ‘Como se dar bem com os mineiros’)

1. Você não deve ficar bravo com ninguém, deve ser educado e sorrir para todos. (Exceto se você estiver dirigindo ou se for sobre futebol.)

2. Você deve escovar os dentes seis vezes ao dia. (Assim poderá sorrir para todos.)

3. Você não deve dizer não, você deve dizer ‘talvez’. (Paulistas dizem não.)

4. Você não deve franzir o cenho. (Tenha uma cara aberta. Até mesmo o verbo frown em português é essa coisa horrível: ‘franzir o cenho’.)

5. Você deve fazer o ‘sinal de jóia’ o tempo todo! (Isso significa que está tudo bem.)

6. Assim que você entrar num carro, sua personalidade deve mudar completamente até você virar um doido varrido. Você deve dirigir muito rápido, nunca dar seta, e tentar assustar o maior número de pedestres possível.

7. Enquanto estiverem dirigindo, os homens devem ficar atentos às mulheres gostosas na rua, e buzinar quando as virem. As mulheres estarão muito ocupadas para fazer o mesmo, já que estarão fofocando ao telefone, com os passageiros ou com elas mesmas, e, por Deus, elas não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo.

8. Você deve comer muito arroz, feijão, carne, salada, pão de queijo, muitos doçes e beber muito café. Isso deve ser seguido por muita cerveja ao final da tarde. Então, você deve ir à academia três vezes por semana, usando roupas de ginástica ao entrar na academia e ao sair, para provar para todos que você faz exercícios de verdade.

9. As mulheres devem usar calça jeans o tempo todo, que devem ser de tamanho pelo menos três vezes menor do que o certo – mesmo se estiver fazendo 50 graus. Homens devem usar bermudas, tênis, meias até a canela, e camisetas.

10. Você deve ser incrivelmente paciente. Tudo dará certo no final. Relaxe, respire fundo, sente-se e tome outra cerveja…gelada.

**Traduzido por Adriano Gomes. (gomesadriano@gmail.com)**

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There is something about Belo

She had gotten what she had wanted. The woman had won. I had been bewitched by a Brazilian. Beaten into submission by the magic of a Mineira. Foolishly weakened by her charm, her cute laugh, those Japanese shaped brown eyes, and her pearly white smile. The promises of a better life, the lure of a city with no tourists and not an Irish soul or bar in sight. One of few foreigners living in a city of 5 million, thus a guarantee of being treated like a King! I stared longingly into the cloudy skies over Dublin, “a King eh?!..cool!” Maybe, just maybe, things would return to the way they were, I would be looked upon as my descendants once were, the O’Neil’s, the high Kings of Ireland. I could take a seat among my family.

“You’ll be treated like a King”, she said again,

“Belo Horizonte”, she whispered in my ear,

“More bars than people”, she said.

Her sweet voice enchanting me, her breath seeping into my veins, locking itself hard around my blood, wrapping its whimsical tentacles around my soul. “King and beer, King and beer.” I thought, “Jaysus”, sure how was any man to resist? Assurances of wealth, love, royalty and more beer than Homer Simpson could ever wish for. How was an ordinary Dubliner to refuse such temptations of grandeur! The Brazilian was cunning. She had set her trap well.

As we drove from the airport, then I saw it, being laid out in front of my eyes.

“This is Minas Gerais, meu amor.”

“Wow, it’s beautiful!”

Tumbling hills, green pastures, soaring rocky mountains, waterfalls, rivers, trees and forests, and blue skies. It was ‘gorgeous’ as we Irish like to say, and it did remind me a little of my little emerald isle. But this is Minas Gerais. I knew I had this smile on my face, a smile that starts somewhere inside and spreads your face wide, cracking it open. And then the feeling came. The gut feeling, as we call it. It’s a a feeling you get inside you. the gut feeling I had, was that I was going to be happy here in Belo Horizonte. “King and beer,” I thought.  “King and beer.”

When we arrived in Savassi, immediately it reminded me of Sydney in Australia. I lived in a neighbourhood called Darlinghurst; it was full of chic bars, cafes and quiche shops. But it was the flora that made it beautiful. The streets had been lined with beautiful lush trees. And through the years, their leafy fingers had stretched outward and above the concrete floors, eventually wrapping themselves around each other, leaving this wiry tangled green canopy high above the Sydney avenues.  But here I was in Belo, and I was looking at the same canopy. It was spring time, so the trees were in full bloom sprouting pink and red flowers.

“Look at the trees my love, look at the trees,” my wife shouted enthusiastically.

Unbeknownst to me, this is a trick my wife uses to visitors to BH to prevent them looking at the not so pretty buildings lining the same streets!

The taxi ride to my new home was surreal in that the taxi driver seemed to be the happiest person alive, either that or he was sitting on a chicken and a feather or 2 was stuck in his ass. He made comments about this and that, laughed about nothing and everything. I was the first Irish man in his cab he told me. But probably not the last, “ho ho ho”.

I had arrived in Belo Horizonte, and three weeks later I had found a job. I had made a great friend in Adriano, a fellow teacher. My wife worked long hours, so I was left to my own devices a lot. During the week, I went for beers with my new friend, and in his own way, he told me about life in Belo and its Mineiros. Vanessa and I had started the process for getting my papers and planning our wedding.  I walked everywhere around the city, mentally taking note of my surroundings and the people. It was completely different from what I was used to in Europe. I felt like I was travelling all over again. I relished in the newness of it all.

And this was how it was for the next year, pounding the streets of the MG capital, getting to know its ways, its people, and its customs. I was a hole that was being filled in, my mind and heart was being set and sealed. Then slowly and surely, just like the pavements I was walking on, cracks began show and widen. The novelty of BH was starting to fade. I caught my own reflection in mirrors on streets. Two old familiar burrows had reappeared and dug themselves into my forehead, the frown was back. My shoulders that had been relaxed and light for so long year were starting to get heavy and sore. Belo Horizonte’s cons had started to outweigh its pros. My long walks became riddled with complaints of the traffic, of selfish drivers and of the polluted air at rush hour. I was becoming tired of being in this city with a love of skyscrapers, and a destruction of houses. Its graffited buildings, its lawlessness, its broken paths and broken society. I became tired of its services, of waiting for things to get done, its carefree attitude to delays.  I turned to my wife for advice, I asked to her to remind me why we were here and not in Europe where things just worked. Vanessa has this way of making it all better, but even her calmness couldn’t quieten me. She became a punching bag for my complaints. And her “this is how it is in Brazil, honey” became boring to me.  Her trees, its beautiful canopy and blooming flowers all started to die. I couldn’t see them anymore. Their death had exposed what had been lying underneath all along. She could no longer keep them from my sight.

In the Brazilian Portuguese language, there is a word, “maravilha”. In Ireland, we would translate this to only one word, “gorgeous”, and god knows we Dubliners use this word a lot.  If you were to listen to some Brazilian singers like Jorge Ben, Chico Buarque, Cartola, Tom Jobin, Marisa Monte, and Vanessa de Mata,  you would hear how “maravilha” the Portuguese language really is. Now, I have a very non-musical-flat Dublin accent. So if you were to listen to mespeaking Portuguese… well, you know the face you make when you hear nails being scrapped on a chalk board ?,  you get my drift I’m sure. I’m trying my best,gente, I’m taking classes, I’m reading Ruben Fonseca, I’m speaking the lingo with my wife. I’m saying “Nossa Senhora” 200 times a day, (sometimes just “nossa…”) “Fica com Deus”, (sometimes just “…com Deus”), and in order to get the nasal sounds right, when I’m just about to say “tudo bem”, or “tudo bom”, I whip out the clothes pig and stick it on my nose. I’m trying people, I’m trying.

In order to practice, my good friend Adriano had downloaded all the best of Samba and boss nova artists for me. And when I’m down, I go into Jorge Ben’s world and his charismatic voice takes over and carries me through the day. So last week, while I was on one of my great walks around the city, Jorge’s smooth voice was filling up my senses. This particular walk included going to the “Dumont” in Afonso Pena Avenue to return a couple of DVDs. Then it was a long hike down Contorno Avenue and cut into Lourdes neighbourhood to go to a café I frequent for um cafezinho e um pão de queijo – black coffee and cheese bread, possibly the best snack ever created by god. Then it was on to one of my favourite students, we have an hour class, all I have to say is hello when I enter the room, he magically finds a line of thought from that hello, starts talking and doesn’t stop until the hour is done. He gives me insights in Belo Horizonte I could never read about, he is a walking encyclopaedia. After, I would then pass by another café for yet another serving of cafe and pão de queijo. Then it’s down to Tiago and Gabi, a favourite group of mine from the Anglo Ferrous company. They are simply a joy to teach, friendly, funny, and open minded. They are lovely people.

I then get on my no.20 bus which always amazes me, but that’s another story folks, you’ll have to wait for that one. While I’m sitting there, I realise that I’m smiling, and I realise that I’ve been smiling the whole day. I think of my walk and the people I’ve met and talked to, the porters in my building, the Dumont people, the waiters in the cafes, my students, and various others. And every single encounter was done with pleasantness and a genuine smile. Moreover, this was a normal day for me, it wasn’t “be nice to Keith” day or anything, this happens every day here in BH.

Chato is another word in Brazilian Portuguese, it means, boring, annoying, obnoxious, rude, and close minded. The word sprang into my mind and hit me in the face, because I had become chato. I sat there and thought hard of how I had been over the last few months: chato. I had become a product of my own personal hates. Tears came to my eyes.  I sent a text to my best friend and to my wife, and told them something had happened, that just through the course of the days little meetings with people, an awakening had occurred. From now on, there would be more complaining, no more negativity, only positivity. That being angry was just a waste of energy. I told them I loved them and praised them both for their patience.  I have always been a people person, it has always been at the forefront of how I live my life. But I let it slip, and I took it for granted. But I’ve gotten it back thanks to my wife, my best friend, and the people of Belo Horizonte. Yes Belo is not such a pretty city to look at, you can’t compare it to the likes of European cities like Barcelona, Paris, or Rome. But for me, it has something that these cities lack, and it’s the people, the everyday people. The politeness, the courtesy, the warm smile (with the white teeth!) that you receive from these strangers is invaluable. It’s these little chance meetings that make this city for me. This is the something that Belo has. If you come and visit, or even stay, you will notice this, and gradually and unquestionably, Belo will start to grow on you.  You’ll see that it has more than bars and vegetation to offer.

I’ve been living here just over a year now. I still have lots to learn. But I think I get the how the Mineiros are. There is very much a live and let live type of attitude here. A ‘don’t worry, be happy’ approach to life.  So, for any of you Europeans who would like to come to  Minas Gerais, I have put together a few guidelines that may help you adjust.

The 10 Mineiro Commandments (or ‘How to get on with the Mineiros’)

  1. You shall not get angry with anyone, be polite and smile at everyone (Unless you are in the car or it’s football related).
  2. You shall wash your teeth 6 times a day (thus being able to smile to everyone).
  3. You shall not say No, you shall say ‘maybe’ (Paulistas say No).
  4. You shall not frown – Have an open face. The verb “to frown” is not even used in Brazilian Portuguese.)
  5. You shall stick your thumb up a lot! (It means alot of things; I’m good, how are you?,all is ok, life is terrific, luinch was amazing etc..)
  6. Once inside a car, your personality shall completley change, you shall transform from a nice, polite, happy person,  into a complete lunatic. You shall lose all sense of patience. You shall drive extremely fast, never indicating, and attempting to scare as many pedestrians as possible.
  7. You shall while driving if you’re a man, check out all hot chicks and beep your horn accordingly or whistle out the window. If you are women, you are way to busy for this as you are gossiping on the phone or with passengers or even with themselves.
  8. You must eat alot of rice, beans, meat and salad. At the end of the day, this will be followed by copious amouts of beer. Becuase of all this consumption, you shall go to the gym at least 3 tims a week without fail, and you shall wear your gym clothes in and out of the gym, so as everyone can see that you do actually exercise.
  9. You shall if you are a women, wear jeans all the time, and they must be at least 3 sizes too small, even if it’s 5OoC. Men shall wear long shorts, t-shirts, trainers and ankle socks!….not havaianas!.
  10. You shall be unbelievably patient!. It will arrive in the end. Relax, take deep breathes, sit down and have another beer.


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Comments
7 Responses to “Beagá tem algo de especial (English version below)”
  1. Leticia says:

    Sou mineira de BH e estou morando em Veneza. Obrigada pelo texto. É simplesmente lindo…. As vezes a gente tá longe de casa, do Brasil, de BH e não entende direito os sentimentos da gente. Mas você resumiu com maestria o que eu sinto falta. Eu sinto falta é dos sorrisos das pessoas que eu não conheço.

  2. Miriam says:

    Hahaha, adorei isso!
    Aqui, escreve os 10 mandamentos em ingles pra mandar para o meu “amigo” ingles que vem me visitar, please!
    Achei o blog otimo
    Abs,

  3. Marcus says:

    Ri demais! Mas não se anime, BH não é assim tão receptiva! Mais uns anos e você vai descobrir exatamente o porque dos mineiros rirem pra você… não conheço uma tradução exata para o termo “bobo alegre”, seria algo como happy goofy, sei lá. De qualquer maneira, a tradução não passar a exata noção do que é de verdade.

    E que esse pequeno empecilho não o impeça de aproveitar o que a cidade tem de bom – tira-gosto de boteco e cerveja. Tem as mulheres também, mas aí seu empecilho já é outro…

    Abraço!

  4. Há muito não me divirto tanto lendo…delicioso o texto, a maneira como você apresenta BH é irresistível. Por favor, escreva algo sobre a Savassi para o nosso site. Temos uma sessão chamada “você faz a noticia” e há espaço para relatos autorais. Adoraria ler mais.
    Um abraço,
    Daniela

  5. Gisela Toledo says:

    hahahaha adorei o texto, ja morei na irlanda e adorei a parte q vc diz da quantidade de vezes q escovamos os dentes. Eu me sentia um ET, pq escovava muito os dentes e tomava 2 banhos por dia. Continue escrevendo muito bom! Boa sorte!
    Abs,
    Gisela

  6. Bruno says:

    Parabéns seu texto é de uma leveza…. sou belo horizontino e fico orgulhoso quando você diz que o que existe de bonito nesta cidade não é a paisagem são as pessoas. Espero que a cidade faça você se apaixonar todo dia.

  7. I just loved this article! Sorry, the hole blog… 😉
    I lived in Ireland for 2 years and I´m glad to read that U felt in love here in Belo Horizonte…
    Best wishes!!!

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